Os Sama-Bajaus: os nômades do mar

Nos mares do Sudeste Asiático existe um antigo grupo étnico chamado sama-bajau, o qual por séculos vivem diretamente ligados a vida marinha, atuando como pescadores, mergulhadores, mercadores, barqueiros e navegadores.

Nos mares do Sudeste Asiático existe um antigo grupo étnico chamado sama-bajau, o qual por séculos vivem diretamente ligados a vida marinha, atuando como pescadores, mergulhadores, mercadores, barqueiros e navegadores. Popularmente eles são referidos como bajau, porém, os membros desse povo se autointitulam como sama. Segundo dados de 2010, haveria mais de 1 milhão de sama-bajaus identificados, a maioria vivendo na Indonésia e depois na Malásia.

As origens do sama-bajaus são incertas, segundo sua tradição, eles remontariam ao século IX, descendendo do povo Maranao no sul das Filipinas. Porém, por se tratar de uma série de povos que foram se unindo ao longo do tempo, é difícil precisar sua origem. Testes de DNA apontam que parte dos sama-bajaus possuem maior grau de parentesco com populações de Bornéu e da Indonésia. Apesar disso, relatos europeus sobre esse povo remontam a pelo menos 1521, quando a expedição espanhola de Fernão de Magalhães passou pela Indonésia e a Filipinas, sendo relatado a existência de um povo que vivia em barcos.

Hoje em dia os sama-bajaus habitam várias regiões dos mares e costas da Indonésia, Bornéu, Malásia e sul das Filipinas. Alguns povos vizinhos como os Orang Laut e os Moken, compartilham alguns costumes em comum, como a vida marítima, mas falam idiomas distintos e possuem outros aspectos culturais.

Atualmente as várias comunidades dos sama-bajaus apresentam hábitos em comum, mas também distintos. Por exemplo, alguns ainda vivem em barcos chamados lepa, os quais existiriam desde o século XVIII, pelo menos, outros vivem em casas de palafita nas regiões rasas do mar ou em praias. Há alguns sama-bajaus que vivem em povoados costeiros, mas outros abandonaram a vida marítima, mudando-se para cidades.

A ideia de que todos os sama-bajaus seriam nômades do mar, hoje se perdeu. No passado, vários deles realmente viviam navegando por essa região do Pacífico, mas com as mudanças culturais e de estilo de vida, muitos sama-bajaus são atualmente sedentários, habitando vilarejos, vivendo principalmente da pesca, caça marinha e outros ofícios marítimos.

Algumas comunidades sama-bajaus se tornaram conhecidas por terem se especializado na pesca submarina, pois seus mergulhadores após anos de prática e desenvolvimento de técnicas próprias, conseguem prender a respiração por até 10 ou 13 minutos, algo sobre-humano. Além disso, nessas comunidades as crianças ainda cedo com seus três ou quatro anos aprendem a nadar, mergulhar e conduzir barcos. À medida que vão crescendo, vão aprendendo as técnicas de pesca e outros saberes. Testes fisiológicos mostram que alguns sama-bajaus possuem um baço maior do que o comum, além de uma capacidade respiratória bem superior. Além disso, eles também tem maior resistência a permanecer dentro da água, como também conseguem mergulhar mais fundo do que uma pessoa comum sem o uso de equipamentos.

Por terem sido um povo bastante nômade no passado, os sama-bajaus falam uma diversidade de línguas e dialetos daquela região, sendo derivados do indonésio, filipino, malásio e outras línguas locais. Inclusive eles conseguem saber de que região um sama-bajau é por conta da língua o dialeto que fala. Já no quesito religião, vários deles são muçulmanos (religião predominante da Indonésia e Bornéu), mas alguns seguem religiões locais de crenças politeístas, animistas e xamanistas.

Referências

RODNEY, C. Jubilado. On cultural fluidity: the sama-bajau of the Sulu-Sulawesi Seas. Kunapipi, v. 32, n. 1, p. 89-101, 2010.

RODNEY, C. Jubilado; HUSSIN, Hanafi; MANUELI, Maria Khristina. The Sama-Bajaus of Sulu-Sulawesi Seas: perspectives from linguistics and culture. JATI – Journal of Souteast Asian Studies, v. 15, n. 1, p. 83-95, 2011.

Leandro Vilar
Leandro Vilar

Sou historiador, professor, escritor, poeta e blogueiro. Membro do Museu Virtual Marítimo EXEA, membro do Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos (NEVE).

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