O farol La Jument

La Jument é um dos mais famosos faróis da França e do Atlântico Norte, tendo sido erguido há mais de um século. Apesar que sua fama se deva por conta das belas fotos feitas dele durante dias de ondas grandes ou tempestades.

La Jument é um dos mais famosos faróis da França e do Atlântico Norte, tendo sido erguido há mais de um século. Apesar que sua fama se deva por conta das belas fotos feitas dele durante dias de ondas grandes ou tempestades.

A ideia para construir esse farol surgiu vários anos antes das suas obras começarem. A região da ilha de Ouessante, na costa da Bretanha, no ponto mais ocidental da França, é um lugar conhecido por serem águas perigosas por conta dos vários escolhos e arrecifes em torno da ilha e no estreito que a conecta ao continente, além dos fortes ventos, onda gigantes e tempestades. Condição essa que nessa ilha existem outros faróis. Todavia, entre 1888 e 1904 houve 31 naufrágios naquelas águas, dos quais 19 contaram com mortes, sendo a pior tragédia ocorrida em 1899, quando um navio inglês de passageiros do qual 240 pessoas morreram.

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Diante dessa grande tragédia ocorrida em 1899, o governo francês decidiu instalar um farol naquela região conhecida em bretão como Ar Gazec Coz (a velha égua), condição essa que o farol foi nomeado de La Jument (A Égua). Por se tratar de uma rota bastante movimentada, era necessário um novo farol, mas os preparativos para construir o farol demoraram anos devido a problemas burocráticos e a morte dos engenheiros responsáveis pelo órgão responsável. Somente em 1907 foram iniciadas as obras, mas devido ao mar revolto e clima hostil, as obras progrediram de forma lenta, somente em 1911 o farol foi concluído.

O Jument consiste numa torre de pedra octagonal, construída sobre uma base cúbica de pedra e contrato, seguindo o modelo arquitetônico de outros faróis da época como o Nividic, o Stiff, o Kereon etc. A estrutura possui 48 metros de altura, e em 1911 ela foi inaugurada parcialmente, pois as obras internas não tinham sido concluídas, condição essa que pedreiros e marceneiros ainda trabalharam em seu interior. Porém, a situação piorou ainda naquele ano quando fortes ondas danificaram o farol, levando o governo a ter que iniciar seu conserto, do contrário, a recente torre corria risco de ser tombada no mesmo ano de sua inauguração.

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Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) o farol ficou desativado por um tempo devido a falta de verbas, já que os gastos priorizavam o conflito, além da ameaça de que ele pudesse ser bombardeado. Somente em 1918 ele voltou a funcionar e novamente teve que ser reparado por conta das fortes ondas. Obras de reparo perduraram até 1924. Alguns engenheiros inclusive achavam que aquele farol não iria resistir por mais tempo. Novas intervenções de segurança foram feitas e a estrutura conseguiu se manter de pé mais de cem anos depois.

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Após finalmente ter sido salvo de desabar, o Jument permaneceu décadas sem se tornar famoso, mas isso mudou em 1989 quando o fotógrafo Jean Guichard que fotografava a partir de um avião o mar revolto por conta de uma tempestade, tirou várias fotos de ondas gigantes golpeando o farol, e uma das fotos mais famosas mostra o faroleiro da época na porta do farol quando uma grande onda bateu nele. A imagem pode ser conferida abaixo.

Em 1991 o farol foi automatizado, assim, nenhum faroleiro trabalha nele desde então. Embora equipes de reparo o visitem regularmente, além de que o Jument se tornou um patrimônio histórico francês junto a vários outros faróis centenários. O farol também apareceu em alguns livros e até em documentários e filmes.

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Referências:

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FICHOU, Jean-Christophe; HÉNAFF, Noël le; MÉVEL, Xavier. Phares, Histoire du balisage et de l’éclairage des côtes de France. Le Chasse-Marée: Armen, 1999.

Leandro Vilar
Leandro Vilar

Sou historiador, professor, escritor, poeta e blogueiro. Membro do Museu Virtual Marítimo EXEA, membro do Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos (NEVE).

Artigos: 28
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