A trágica e incrível história do navio “Montevideo Maru”

A bordo do MV Montevideu Maru, navio mercante japonês, estão mais de mil prisioneiros de guerra, em sua maior parte, soldados e oficiais australianos. Eles haviam sido capturados pelos japoneses durante os primeiros meses de batalhas que se seguiram após o início da expansão japonesa no sudeste asiático, no final de 1941 e início de 1942.

1º de julho de 1942, mar das Filipinas, Oceano Pacífico.

A bordo do MV Montevideu Maru, navio mercante japonês, estão mais de mil prisioneiros de guerra, em sua maior parte, soldados e oficiais australianos. Eles haviam sido capturados pelos japoneses durante os primeiros meses de batalhas que se seguiram após o início da expansão japonesa no sudeste asiático, no final de 1941 e início de 1942.

Estes australianos haviam sido feitos após a queda da cidade de Rabaul (New Britain), no início de 1942. O navio de prisioneiros rumou então para a China, onde esperava desembarcar os prisioneiros na ilha de Hainan. Porém, foi avistado pelo submarino americano USS Sturgeon, próximo à costa norte das Filipinas no dia 30 de junho. Perseguindo o navio japonês, o submarino foi incapaz no início de efetivar um ataque devido à velocidade daquele mercante. Contudo, o Montevideo Maru reduz a velocidade logo após a meia-noite, na expectativa de encontrar-se com escoltas. Ele navegava sozinho.

Foi neste momento que o USS Sturgeon disparou quatro torpedos, dos quais um atingiu em cheio o alvo. Não houve tempo para escapar: o Montevideu Maru afundou em apenas 11 minutos, e poucos tiveram a chance de salvar-se. Naquele momento, os tripulantes do submarino americano não faziam ideia de que aquele fosse um navio abarrotado de prisioneiros de guerra aliados. A tragédia só seria notada tempos depois: 1054 membros do exército australiano afundaram junto com o navio, no que ficou conhecida como a maior tragédia marítima da história da Austrália.

No dia 18 de abril de 2023, foi anunciada a descoberta de seu naufrágio no mar das Filipinas, próxima da ilha de Luzon. A embarcação está a uma profundidade de 4.000 metros (4 km). A descoberta foi anunciada por uma equipe holandesa de exploração submarina, a Frugo.

O Navio

O Montevideo Maru foi construído no ano de 1926 pelos estaleiros Mitsubishi Zosen em Osaka, no Japão. Pertencia à classe “Santos”, e navegava sob administração da empresa de navegação japonesa OSK (Osaka Shosen K.). Tinha 7.267 toneladas, 113 metros de comprimento por 17 de largura, dois motores a Diesel, alcançando velocidade de 12 nós.

O ,Montevideo Maru, no Brasil: outro episódio trágico.

Em tempos de paz, o navio japonês esteve em diferentes ocasiões no Brasil, atracando nos portos de Santos e do Rio de Janeiro, realizando intercâmbio comercial e ajudando a trazer imigrantes japoneses.

Iniciada a II Guerra Mundial, o navio japonês passou a atuar como uma embarcação de transporte de refugiados e para realização de repatriação e troca diplomática. , assunto já abordado aqui no blog do museu marítimo virtual EXEA. Uma notícia vinculada no jornal A BATALHA , datado de 14 de janeiro de 1941, mostra um fato muito interessante sobre o navio. Naquele início de ano, o Montevideo Maru era aguardado no porto do Rio de Janeiro, e com ele, havia a expectativa para o desembarque de Judeus fugidos da guerra.

Chamados na reportagem de “judeus errantes”, eram, segundo a reportagem, cerca de 300, alemães e poloneses. O navio havia zarpado de Kobe no Japão, e sua chegada era muito aguardada no Rio. Diz o jornal que eles haviam sido “proibidos de desembarcar em todos os portos tocados pelo “Montevideo Maru”. Além deles, haviam tripulantes gregos de um outro navio, o Carmar, cujo navio havia sido apreendido pelos japoneses ainda no Pacífico. O Montevideo Maru já havia aportado em Balboa no Panamá, onde o desembarque dos judeus fora proibido.

Infelizmente, afirmava o mesmo órgão de imprensa que eles haviam sido proibidos de desembarcar no Rio de Janeiro, e que o “mesmo ocorreria em Montevideu e Buenos Aires”, sendo eles obrigados a retornar ao Japão. A Polícia Marítima do Rio proibiu a saída do navio japonês, interditando-o. Apenas alguns puderam desembarcar no Brasil, entre eles, uma missão comercial japonesa que ficaria aqui por duas semanas.

Enquanto isso, os judeus alemães e poloneses se amontoavam na 3ª classe do Montevideo Maru, na esperança de que houvesse uma reviravolta acerca de suas condições naquele momento. Eram pessoas que haviam escapados dos horrores da perseguição nazista na Europa. Um dos judeus entrevistados afirmou que, em uma incrível odisseia, digna de filmes hollywoodianos, atravessaram a Ásia inteira, passando por União Soviética, Mongólia, China e finalmente chegando ao Japão, onde esperavam de lá, ir até a América onde estariam seguros. A viagem de navio repleta de esperanças, no entanto, tornara-se um pesadelo para os judeus.

Fontes:

https://www.wrecksite.eu/

https://montevideomaru.naa.gov.au/

https://edition.cnn.com/2023/04/21/asia/montevideo-maru-found-south-china-sea-intl-hnk/index.html

https://www.abc.net.au/news/2023-04-24/new-images-from-the-montevideo-maru-shipwreck-car-truck-seabed/102261198

http://memoria.bn.br/

George Henrique
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